terça-feira, 28 de agosto de 2007

No Amor e na Guerra

PARTE I
Capítulo I - Ideologia
Ainda era claro quando a moça chegou à casa do ferreiro. O verão de 1858 mal havia se iniciado e aquele fim de tarde de julho prometia grandes surpresas para duas moradoras de Santa Fé. A jovem Anne Rodriguez Forster buscava uma nova espada para a prática de luta que seu pai, Edward, tanto apreciava lhe ensinar.
A bela garota bateu palmas e como ninguém vinha atendê-la resolveu entrar no pequeno estabelecimento; ouviu vozes no fundo da casa e lá chegando avistou o senhor Juan Morlec mostrando uma nova arma de pólvora para três garotos e uma moça, dizendo-lhes:
– Meninos, vocês precisam aprender a se defender, pois nunca sabemosquando irá acontecer o pior.
O ferreiro olhava para seus filhos com ternura e, mesmo com a expressão marcada pela idade, o espanhol tinha estampada em seu rosto uma beleza marcante.
– Buenas tardes, Señor Morlec. Desculpe interrompê-los, mas gostaria de pegar a minha espada - disse Anne.
O ferreiro olhou para a moça e pensou que aqueles longos cabelos escuros, cheios de ondas como o mar da noite profunda, os olhos castanhos fugazes e corajosos e tal corpo moldado por anos de treinamento com espada a tornava ao mesmo tempo bela e forte.
– Srta. Forster, que bom vê-la! Sua espada está pronta, venha comigo – o senhor guardou a arma em uma caixa e a deixou em cima de uma mesa.
Morlec e Anne foram a uma sala em frente, enquanto um dos garotos pegou a caixa e começou a manusear a arma.
– Mano, cuidado, isso pode ser muito perigoso - disse a menina que aparentava ter uns quinze anos, como Anne.
- Calma, Clara. Eu nem sei mexer direito nisso – ao falar isso o garoto fitou a arma e mexendo-a em sua mão, disparou acidentalmente o gatilho, quase atingindo sua irmã.
Morlec estava de costas para as crianças, porém Anne acompanhou toda a cena e rapidamente correu até o local e abaixou Clara, projetando o seu corpo sobre o dela. A bala foi parar em uma parede imediatamente atrás das moças.
– Você salvou a minha vida! Saiba que eu serei eternamente grata pelo seu gesto, e, no momento em que você precisar, irei retribuir – disse Clara Morlec abraçando sua mais nova amiga.

**********

Após duas primaveras, Anne e Clara já eram inseparáveis. As duas se completavam e tinham os mesmos ideais revolucionários e abolicionistas. Naquele ano, sua principal conversa era sobre a eleição para presidência, pois mesmo não podendo votar, elas gostariam que Abraham Lincoln, do Partido Republicano, vencesse as eleições.
– Sabes, Clara, gosto de conversar contigo sobre tudo, mas nem se fossemos irmãs teríamos tanto em comum – Anne olhava para a amiga com a sinceridade e pureza próprias da sua pessoa, e segurava o livro que a moça lhe havia dado.
– Annita, sabes o quanto gosto desse livro de Harriet Stowe, "A Cabana do Pai Tomás", é o que me inspirou a ser abolicionista.
– Claro que sei, amiga, foi ela que deu luz as minhas idéias e me fez sentir pena desses pobres negros, que são gente como nós! É o que me faz querer lutar pela vida deles, eu gostaria de poder defendê-los...
– Anne, mi hija, se teu pai te escuta a falar essas coisas... Tu sabes que não será bom – interrompeu Dulce Maria, logo que ouviu a conversa. Ela era espanhola e foi aos Estados Unidos por seu amor pelo marido inglês Edward, naquele exato momento, passava pelo quarto da filha.
– Ele quer que tu te preocupes com as coisas próprias de tua idade, um bom marido, por exemplo.
- Pero, madre, se foi ele mesmo que sempre me ensinou a manejar a espada... Não consigo compreender essas mudanças!
– Tu sabes que ele está assim desde que tu começaste a ter aulas com a Clara de manejo de armas de pólvora em troca de tuas aulas com a espada.
– Senhora Forster, Anne e eu não estamos fazendo nada errado!
– É claro que não... Mas não é algo que meninas normalmente fazem, e, é por isso que o pai de Anne está tão relutante. Dando minha opinião, Clara, vocês têm de ter esse tipo de conocimiento, mas Edward no le cree.
- Está bem, señora mi madre. O recado está dado...- a garota parecia pensativa ao responder para sua mãe.
Capítulo II - Na Guerra e na Paz
O ano de 1861 chegara e, com ele, as preocupações. Abraham Lincoln chegaria à presidência e os sulistas não haviam gostado nem um pouco, pois os ideais do novo governante não correspondiam em nada com os seus. Anne se mostrou muito preocupada com a situação e percebeu que uma guerra era iminente, porque os confederados declararam secessão da União. Decidida a lutar pela abolição, a linda moça combinou com sua melhor amiga que as duas iriam para a batalha disfarçadas de homens assim que o estopim estourasse. Após alguns meses de preparação e espera, a guerra se iniciou: o exército dos confederados atacou o Forte Sumter, localizado na Carolina do Sul. Anne e Clara estavam decididas a fugir e a se juntar ao exército nortista, composto de homens de 20 a 45 anos, incluindo negros.
– Anne, como iremos fazer para nos alistarmos? – perguntou Clara, um tanto ressabiada.
– Será fácil, minha amiga. Assim que o as tropas chegarem, nos juntaremos aos soldados no lugar de Ian McGonagall e Peter Slowe.
– Os garotos que morreram ano passado naquele acidente? - a amiga assentiu com a cabeça – Mas como?
– É simples: não há nenhum registro da morte deles, pois ninguém fez as suas certidões de óbito... Então, não teremos problema!
Tudo saiu como Anne planejara e, logo, ela e Clara, lutariam pelos seus ideais junto ao rio Shenandoah.
**********
Era noite quando Anne resolveu ir caminhar junto ao rio. Não era o seu momento de vigilância, porém a jovem precisava refletir sobre o que estava ocorrendo, sobre seus ideais. Mal sabia ela que, naquela noite, o sentido de sua vida se modificaria.
A garota, que vista de longe realmente se assemelhava a um homem, andava pela margem segurando seu rifle e pensando o quanto lhe valia tudo aquilo, se a vontade de mudar o mundo que guardava em seu coração não era sentida pelos homens que ela já havia matado. Nesse momento, um rapaz vinha em sua direção cambaleando e percebeu que ele estava ferido. Anne correu em sua direção e, ao se aproximar, o jovem caiu ao chão. Mirando fundo nos olhos dela disse:
– Sou...- aquele olhar fez a garota tremer por dentro – Jack Sparrow... Prazer, soldado - a voz daquele moreno rapaz encheu o coração dela de paz.
– Tu estás ferido, preciso te levar de volta... para o posto – nesse instante Jack percebeu que o soldado na verdade era uma garota.
– Você... Não pode ser... É uma garota?
– E você... É um confederado – a garota o olhou séria e o homem riu, apesar da dor do ferimento – mas se eu não ajudá-lo vai morrer aqui mesmo.
– É verdade... Então será o nosso segredo? – ele já sentia uma profunda admiração pela moça, pois se disfarçar de homem para ir a uma guerra não era coisa que se via todos os dias.
– Sim, senhor Sparrow. O senhor pode me chamar de Slowe, pois nenhumsoldado de minha tropa percebeu que sou na verdade uma mulher.
– E qual... Ai! - o moreno colocou sua mão no ferimento.
- Chega de conversa, deixa-me tirar essa camisa para que não lhe reconheçam como sulista – a garota rapidamente tirou a camisa do rapaz e rasgou-a, colocando um dos pedaços no ferimento para estancá-lo. – E agora tente se levantar para irmos ao acampamento.
PARTE II - Vidas Cruzadas
Capítulo III - Lembranças

A manhã está muito fria. As pessoas começam a sair de casa para o trabalho, a estação está mais cheia do que o normal. No meio dessa multidão, Sophie finalmente consegue alcançar seu trem. Endireitou-se na poltrona e acomodou-se. Ainda restava um dia inteiro de viagem pela frente. Pela janela do trem, olhava a ferrovia, um barraco, um cavalo. Todas essas cenas faziam a donzela lembrar-se de uma das maiores emoções de sua vida.
(Casa dos Antoine, New York)
- Sophie, seu pai está te chamando lá na sala. – entra calmamente Madie, no quarto da filha.
- Mãe, é o que estou pensando? Meu pai permitiu?
- Não sei, menina. Vá lá.
- Filha, esse rapaz, William, parece ser uma boa pessoa. Conversei com a família dele e acertamos o casamento.
- Papai! Estou tão feliz. Muito obrigada! – Sophie ajoelha e, cheia de felicidade, beija as mãos de seu pai, Jacob.
O casamento com William Rush foi maravilhoso, o melhor momento da vida da jovem. Mas, agora, neste trem, lamenta-se por não estar junto a ele. “Que guerra maldita!” – pensava. Por causa dela, William juntou-se às tropas dos generais Grant e Sherman. Sophie não entende como os homens não conseguem resolver suas divergências através de uma maneira em que não houvessem mortos e feridos envolvidos. Assim, lembrou-se da ultima vez que viu Will...
- Will, rezarei todas as noites por ti, meu amor. Por favor, prometa que voltará para casa!
- Lutarei bravamente pela minha pátria! Defenderei com unhas e dentes os interesses dos federalistas, mas, principalmente, lembrarei de ti em todos momentos. E nenhum homem poderia ter sido mais feliz como eu fui ao teu lado. Eu te amo, Sophie.
Assim, beijaram-se e despediram-se.
O trem já parara e era noite. A moça desceu na estação Solyter e seguiu pela rua. O Hospital Patent Office é agora seu novo lar.
Capítulo IV - Reencontros

Abby McDowell passara rapidamente em um dos escritórios do Hospital para pegar algumas fichas de pacientes. Estava apressada, precisava atender um soldado trazido por Slowe. Ao sair da sala, é interpelada por uma moça:
- Doutora, com licença, poderia me... – ela pausa e indaga - Abby?!
- Sophie?! Meu Deus, é você mesmo? – diz Abby surpresa. - Como cresceste! Tinhas quantos anos quando nos conhecemos? Doze, certo??
- Exatamente, lhe devo muito por ter sido tão gentil. Foi o que me inspirou a estar aqui.
- O que te traz a este Hospital?
- Vim ajudar como enfermeira voluntária.
- Ah, então achei a pessoa certa! Estava esperando que viesse uma enfermeira hoje mesmo! Vou lhe mostrar os dormitórios, por sorte será minha colega de quarto. Depois conversaremos melhor. Venha não vamos perder tempo, temos um caso de amputação!
As duas saíram e foram em direção aos dormitórios. Logo, Sophie atenderia seu primeiro paciente durante a guerra.
**********
- Vamos, Sophie. Enquanto corremos até lá, vou lhe dizer algumas informações. É um soldado, foi gravemente ferido na perna por um tipo de munição para rifle chamado de Minie Ball. Um desses é capaz de fazer um estrago enorme visto que o osso, nesse caso, foi totalmente esmagado na área atingida. Ainda bem que foi trazido a tempo, se trazido dentro de 24 horas, nesses casos, a chance dele sobreviver é de 50%. Vejamos, o nome dele é... – ambas já estavam a dois passos da porta - ... William Rush.
- O quê?! – lágrimas começam a escorrer pela face de Sophie que, involuntariamente, empurra e corre até a maca no meio da sala, onde se encontrava seu amado.
- Will... estou aqui... sinto muito...
- Está tudo bem, Sophie, tinha que ser assim...
- Sophie, não quero ser inconveniente, mas precisamos fazer essa operação logo. Ele já está perdendo muito sangue...
- Está bem. – assente a jovem.
- Certo. Preciso que dê clorofórmio a ele.
Sophie, tristemente, pega um vidrinho com a substância anestésica e embebe um pedaço de pano em seu conteúdo. Afaga o rosto de William e lhe administra o clorofórmio próximo a região do nariz. Ele aspira e vai adormecendo aos poucos e a amputação é iniciada.
- Amiga, se não quiseres ficar aqui, podes sair.
- Não, está tudo bem. Quero ficar. – e fica ao lado do soldado, segurando-lhe a mão.
- Então, continuemos. Torniquete!
Um torniquete é alcançado a Abby. Ela estanca o sangue, depois pega o bisturi e corta os tecidos. Chegando no osso, ela usa uma serra. Serrado o úmero, as artérias e veias também recebiam o mesmo procedimento, juntas. O membro amputado era jogado a uma pilha, que seria jogada fora no final do dia. Para fechar o ferimento, McDowell põe suturas de seda na perna do soldado. Sophie acompanhara seu marido até uma segunda sala, para repouso. Assim, seria o dia todo para a doutora McDowell. Amputações atrás de amputações.
Após alguns dias, Rush já estava de pé, com muletas. Mas já poderia ter uma vida normal, novamente. Fora da guerra. Sua operação foi feita na hora certa, mais um pouco, poderia ser contaminado com sujeira e pele para dentro ferimento e ter perecido.


Capítulo V - Cura e Recomeço
-Doutora, esse soldado está ferido!
- Pode deixar, soldado Slowe. Deite-o aí junto com os outros e pode se retirar, afinal, o dia está quase amanhecendo e quem está são deve lutar.
- Obrigado, doutora. Adeus, soldado – disse Anne para Jack
- Calma... Venha cá... - Anne se aproximou do rapaz. - ...venha me visitar se possível...
- Está bem, senhor Sparrow - Anne o olhou com carinho e disse, sussurrando:
– Cuidado com o que você fala, não deixe ninguém desconfiar que não é de nossa tropa, ok?
- Ok... - a moça já ia se retirando.
– Espere, Slowe... Posso saber como é seu verdadeiro nome? - Jack perguntou baixinho.
- Anne e... até breve. - A garota saiu pela porta sem olhar para trás.
- Muito bem, soldado - a doutora o olhava intrigada - Nunca o vi por aqui antes...
- Bom, doutora, nunca tive problemas... Esse foi o primeiro.
- Ok, então. Vejo que não há muito que fazer neste ferimento além de esperar sua cicatrização. – disse a cirurgiã1 examinando o paciente - Fique aqui e pense um pouco na vida, logo a enfermeira Sophie virá lhe ajudar.
Jack começou a refletir sobre Anne e o quanto era ela diferente de sua noiva Jully Marry, uma mulher ambiciosa e egocêntrica com a qual ele jamais se casaria.
**********
Certo dia, eles estavam na proa do navio a observar o mar, quando um escravo começou a ser castigado por estar na proa em horário inadequado; o jovem Jack ficou estupefato com a atitude com que trataram aquele escravo, e quando se lançou em direção a eles Jully o repreendeu.
- O que estas fazendo?
- Não vistes o que aquele homem fez a aquele pobre escravo? Isto não pode ficar assim!
- Isto pode e isto vai ficar assim. O que pretendes fazer? Um escândalo? Ou acaso vai bater no homem porque ele repreendeu aquele escravo imundo? Ponha-se no seu lugar Sr. Jack, esta é uma atitude completamente insana!
Jack ficou apavorado ao ouvir aquilo que Jully dissera; não conseguia aceitar aquelas palavras, elas não podiam ter saído daquela boca inocente! Será que ela foi tomada por um espírito maligno? Ou ela era o próprio? Ele não ousou dizer uma só palavra, devido tamanha surpresa; quando ele se virou para onde a cena havia ocorrido, aqueles homens já não se encontravam mais ali, mas aquela cena nunca mais sairia de sua cabeça.
No outro dia, encontrou-se com seu pai após o almoço e contou o ocorrido.
- Mas meu filho... o que querias que ela fizesse? Que deixa-se você ir arrumar uma confusão, fazer um escândalo? E você... Onde estava com a cabeça?
- Mas, meu pai, foi uma cena inaceitável! O senhor não pode imaginar tamanha frieza desta mulher!
- Ela agiu corretamente, você é que está levando tudo muito a sério.
Naquele momento, Jack ficou tomado por tamanha cólera que não pronunciou nenhuma palavra a Marry até chegarem a sua casa.
Refletindo sobre tudo isso o soldado percebeu que havia ido a guerra por vontade de William Turner Sparrow, seu velho pai, e estava noivo de Jully por desejo dele, por fim percebeu que essa situação não poderia se manter assim.
'Cirurgiã: na época da Guerra de Secessão, os médicos eram chamados de cirurgiões (em inglês, surgeons).
Capítulo VI - Amor e Ódio
-Anne! Tu estás louca?! - Clara estava abatida e parecia muito preocupada com a atitude da amiga. - Como podemos manter um soldado inimigo em nosso hospital? Sabes que os homens de nossa tropa já nos acham diferente, imagina se descobrem que abrigamos um confederado!
- Em primeiro lugar, me chame de soldado Slowe, senhor McGonagall! E em segundo quem o abrigou fui eu e, não, nós! - a morena olhava docemente para amiga - Não se preocupe, ninguém saberá!
- Ann... digo, Slowe, eu acho que estás te enamorando por esse Sparrow - Clara se mostrava cada vez mais cúmplice da amiga.
- Não diga tonterias, Clar... Soldado! - Anne ficou profundamente abalada com aquelas palavras - Eu apenas ajudei-o e nada mais! Apenas pelos meus valores...
- Sequer tu crês naquilo que dizes! – Clara sorria para a amiga – Vá logo vê-lo...
- Saiba que vou sim ,mas apenas por solidariedade , pois não nutro este tipo de sentimento por ele.
- Sim, sei, soldado Slowe.
Anne foi a caminho do posto, o qual ficava mais ao sul do acampamento e em todo seu percurso foi pensando no que sua amiga lhe havia dito. Será que ela poderia estar apaixonada por aquele homem? Não podia ser possível, eles eram de mundos diferentes; ela uma nortista, abolicionista e ele, um sulista muito provavelmente escravista. Chegando ao Hospital Patent Office, a moça encontrou a enfermeira Sophie e perguntou pelo soldado.
- Eu lhe acompanho, Slowe. Ele foi colocado numa maca longe dos demais, para não pegar uma infecção, sabe?
- Claro, enfermeira. Ela tem dizimado muitos soldados.
Sophie a levou para um local isolado do posto, onde Anne logo avistou Jack.
- Eu vou deixar os dois amigos a sós, creio que tem muito para conversar. - a enfermeira os olhava de soslaio – Com licença, Slowe, soldado Smith.
Assim que Sophie deixou o recinto Jack sentou-se na cama e sorriu para Anne.
- Olá,Anne! Como passou a manhã?
- Preocupada com o que seu exército tem reservado para os negros. Talvez, senhor Sparrow. – ela o mirava intrigada - Eu ainda não tive a oportunidade de agradecê-la como deveria – o sulista fingiu não ouvir a farpa que a morena havia lhe lançado
– Muito obrigado por ter tido misericórdia de um homem sofredor! – ele lhe lançou um sorriso irônico.
- Já estou arrependida, se queres mesmo saber, senhor Sparrow – a valentia e o brilho nos olhos daquela garota o deixavam cada vez mais admirado.
– Afinal, o senhor não passa de alguém sem valor! Que não deve sequer ter idéia de que esses filhos de Pai Tomás são iguais ou melhores que nós!
- Engraçado, soldado, tu citaste Harriet Stowe, em uma de minhas histórias prediletas.- Jack enxergava na garota a coragem que sempre quisera para si.
- Tu sabes do que falo? Não és um escravista?- a moça realmente parecia surpresa.
- A verdade, Anne – ele fez um gesto com a mão para que ela se aproximasse – é que sou um abolicionista covarde, que durante sua vida inteira obedeceu um pai que se acha superior a todos! – Jack estava com o olhar marejado por revelar tão profundo sentimento aquela garota. Anne viu sinceridade nas palavras e nos olhos do soldado e finalmente assumiu para si que poderia estar apaixonada por ele.
- Tu queres dizer que veio lutar por ideais nos quais não acredita? – Anne sentou-se aos pés da cama - Mas como pôde? Eu vim para essa guerra por amor aos meus ideais, para que eu possa mudar algo nesse país! - o soldado a olhava com ternura e entendimento – Deixei mi madre y mi padre preocupados comigo no Novo México , sem saberem se me verão viva outra vez e se eu poderei dar-lhes os netos que tanto querem! - a garota abaixou sua cabeça, pois mesmo ela não fazia idéia de seu futuro.
- Tu és uma moça rara , não sabes o quanto te admiro! - Jack segurou a mão dela e a moça deixou-se contemplar naquele olhar – Gostaria de ver-te sem esse chapéu, sem essas roupas de homem e esse falso bigode, pois se já vejo em teus olhos tamanha pureza de noite sem luar, imagino o quão bela devas ser em trajes de dama!
- Obrigada, senhor Sparrow- Anne respondeu sem graça. - Senhor Sparrow, não! - o homem continuava a segurar a mão da garota – Por favor, me chame de Jack!
- Bem, Jack, eu fico feliz em saber que tu és um abolicionista e espero que cries coragem de dizer isso ao seu pai! - Anne soltou sua mão da dele e levantou-se da cama - Tenho que ir agora , e realmente não sei se voltaremos a nos ver. Iremos a campo agora.
- Nos veremos sim, Anne – ele a olhou com calor e paixão - Tu não perecerás nesta batalha!
- Espero que estejas certo, Jack. - a garota esperava aquilo de todo o coração, pois tinha necessidade de vê-lo outra vez.
- Eu tenho certeza , minha querida. Gostaria que viesses essa noite para cá – a garota o olhou espantada e ele sorriu – Pois, pretendo voltar ao lado dos confederados para desertar. - Está bem, se sobreviver venho ajudar-te a descer pelo rio e encontrar-te com as tropas confederadas - Anne estava parada à saída.
–Adeus, Jack.
- Até logo, Anne – sussurrou o garoto para o ar.
A batalha foi longa e cansativa , porém Anne e Clara conseguiram sobreviver sem nenhum ferimento grave e como prometido a garota retornou para ver Sparrow. Silenciosamente , Anne adentrou o hospital e foi em direção a habitação de Jack. Lá chegando , encontrou apenas trevas e se espantou quando um vulto cobriu-lhe a boca.
- Sou eu. Jack, Anne? - o corpo de Sparrow estava grudado ao seu e ela mal conseguia respirar - Pensei que não viesses mais! - disse ele tirando a mão sobre a boca da moça.
- Vamos logo ,antes que nos descubram - o garoto continuava a abraçá-la pelas costas e ela estava tendo dificuldade para permanecer em pé sem tremer. - Se tu me soltares...
- Desculpe - ele respondeu sem jeito. Os dois saíram sem fazer barulho e foram conversando em direção ao rio Shenandoah. À medida que iam se conhecendo melhor, mais carinho e amor sentiam um pelo outro; e mais certezas Jack tinha de que era aquela mulher com a qual ele deveria casar-se ; o homem contou a ela seus desejos e sonhos, ela lhe falou de sua cidade e de seu amor pelos livros e quando chegaram a margem do rio que o levaria para o lado sulista , se despediram com promessas mútuas:
- Anne, essa manhã mesmo irei desertar, terminarei tudo com Jully Marry e assim que essa guerra acabar irei a Santa Fé para lhe encontrar. – Sparrow segura a mão de sua amada.
- Eu prometo que sobreviverei e finalmente poderei ter-te em meusbraços, como uma mulher de verdade. - os dois calam – se por um segundo e se vêem nos olhos um do outro. Jack envolve a cintura de Anne e lenta e docemente aproxima sua boca da dela, enquanto a garota deixa-se envolver nos braços do homem que conquistou seu coração. Os lábios se tocam e tal sentimento nenhum dos dois havia antes provado: amor, admiração, paixão e carinho em um mágico beijo de almas.
A despedida não foi pronunciada por palavras, mas apenas com o olhar. Jack desertou naquela manhã de 1862 e logo foi para a casa, lá chegando terminou tudo com Jully, que indignada prometeu vingar-se da mulher que roubara seu amado. Sparrow revelou tudo o que sentia a seu pai e foi expulso de casa. Jack portanto resolveu se alistar no exercito nortista para ficar ao lado de sua amada Anne. Sparrow enfrentou diversas batalhas, porém nenhuma delas reencontrou sua amada Anne, ele começou a achar que ela havia morrido. Desolado, ele não tinha mais motivos para viver; até que em maio de 1864 foi a Batalha de Wilderness e após dois dias de luta viu um corpo estirado no chão que parecia familiar. Ferido, aproximou-se do corpo e percebeu o de Anne. Mal sabia Jack que sua amada não havia sido ferida em batalha, mas sim pelas mãos de Jully; aproximando-se mais ele percebeu que sua amada percebeu que ela tinha um tiro de raspão em seu ombro esquerdo e ao seu lado encontravam-se os corpos familiares, um de Clara e o outro de Jully. Jack levou Anne para o hospital mais próximo e ficou ao seu lado até ela acordar, o que demorou alguns dias. Quando ele viu sua amada abrir os olhos, sentiu uma profunda gratidão aos céus.
- Anne, tive muito medo de te perder - Jack a olhava com ternura.
- Jack...- a garota achou que estava tendo algum tipo de sono - será que eu estou no paraíso?
- Não meu amor - Sparrow abraça amada - eu estou aqui do seu lado, prometi que um dia iríamos nos reencontrar.
- Eu não acredito que tu estás aqui!- diz Anne respondendo ao abraço.
- Como tu ficastes ferida?
- Eu não sei direito, simplesmente durante a batalha apareceu uma moça que parecia ser nobre com um sotaque estranho, que com uma espada tentou ferir-me.
- Provavelmente era a Jully Marry!
- Não sei qual era o seu nome, só sei que antes de virar-me, Clara colocou-se entre mim e a espada, morrendo em meu lugar.
Ele a olhou com piedade e compaixão, agradecendo mentalmente à Clara por ter salvo seu amor. Os dois se beijam apaixonadamente; e prometem amor eterno um ao outro.
Capítulo VII - Luz

“Lembro me de quando me interessei por medicina. Meus pais acharam loucura: “Abby, sabes que uma mulher médica não pode ser tão bem reconhecida quanto um homem”. Mesmo assim, fui a Nova York em busca da minha tão sonhada graduação. Dois anos na Escola de Medicina de Syracuse, sendo um a repetição do outro. Apesar disso, valeu a pena. No início da guerra as dissecações já nem eram mais feitas, sendo um ano suficiente para a graduação. Já vi muitos aqui no campo, que nem se quer viram um órgão interno, sendo a sua primeira experiência um trauma.”
Abby estava grávida de Lucas, seu marido. Já sentia algumas contrações, mas se recusava a repousar. Mesmo com um filho prestes a nascer na barriga, foi a campo ajudar os feridos, apesar de ter uma função similar a de enfermeira. Sua felicidade era curar. Seu marido estava em outra batalha, vencendo heroicamente os sulistas. “Se Lucas estivesse aqui, ele não me permitiria nem sequer por os pés para fora de casa” pensou. Sophie não a deixava em nenhum momento, sempre alerta para qualquer emergência.
Enquanto cuidava de um capitão caído no meio do campo, Abby grita pela sua amiga. Ela estava dando a luz. Em pleno dia, no meio de uma guerra. Onde as balas dos rifles não escolhiam seus alvos. Sophie chamou um médico para auxiliar o oficial ferido. Logo, ajudou no parto de McDowell e esta nomeou a filha Natalie Delaney McDowell. Em um momento enquanto admirava sua criança sentiu uma pontada no peito. Uma bala a atingira. Por sorte a pequena Natalie nada sofrera. Mas Abby sentia um frio constante.
- Sophie, quero que cuides desta menina por mim. Diga ao meu marido, Lucas, que o amo e estarei cuidando de vocês aonde estiverem. Estou em paz. Adeus.
- Abby, não...
Assim, morre e deixa a filha nos braços da amiga que sai correndo imediatamente em busca de transporte para o hospital mais próximo.

Capítulo VIII - Vitória
Em pouco tempo, a Guerra Civil acabaria, tendo como vitorioso o lado dos abolicionistas do Norte. Anne e Jack vão viver na cidade natal dela, no Novo México em Santa Fé, e como haviam prometido um ao outro vivem eternamente apaixonados. Abby não chegou a ser enterrada em túmulo único, devido ao grande número de corpos espalhados nos campos. Sua filha, Natalie, é uma forte e saudável criança, como a mãe, já sente afinidade com a medicina. Lucas McDowell, não se casa novamente e recebe constantes visitas de Sophie e William Rush, os padrinhos de Natalie.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Apresentação do Personagem ..Romance

Olá...hoje depois de muito tempo sem postar, farei uma breve apresentação sobre o meu personagem no Romance que será escrito por mim e pelas minhas colegas de classe : Akemi,Paula,Jéssica e Cristina.

Personagem:

Clara tem cabelos como as ondas do mar...castanhos como os troncos das árvores do outono, é baixa.
Um belo sorriso está sempre em seus lábios...passa as horas sempre pensando sobre seu grande amor. É a melhor amiga de Anne, está sempre disposta a ajudar quem gosta, é ela que vai ajudar Anne a conseguir destruiur o noivado de (personagem da Paula).É namorada de Ramiro.Ela é uma jovem americana.Ao longo da história a conheceremos melhor.
Boa leitura.

sexta-feira, 16 de março de 2007

O Romantismo no Brasil

Olá, decidi falar sobre literatura brasileira , mais especificamente sobre o Romantismo no Brasil e centrei a minha pesquisa na 1ª geração da poesia romântica por ser a parte da qual eu mais gosto e tenho prazer em aprender.Espero que todos gostem.
Beijo, Cony. ;D





Introdução


O Romantismo, no brasil, foi um período inicialmente de apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma a visão do mundo centrada no indivíduo .
Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos .Para os românticos, o mundo real é sempre uma frustração de seus idealismos e sonhos. Daí a rebeldia dos poetas do mal-do-século.Esse desejo de fugir da realidade manifesta-se em atitudes como o desejo de morrer, o culto a solidão, a evasão no espaço e no tempo.O poeta tem maior liberdade formal em busca da musicalidade) , as comparações , metáforas e adjetivação são constantes para dar vazão a fantasia, as redondilhas são costumeiras tanto a menor como a maior, a natureza passa a integrar-se a história do ser humano que não é apenas bondade mas também é maldade..A mulher é sempre idealizada e nacessível , virgem , angelical ou até mesmo sensual, o amor em sua grandeza algumas vezes em forma paixão.
O romantismo retrata as emoções mais profundas e os sentimentos são expressos através do poeta (autor) que expõe de tal forma a simbolizar o que sente de maneira bela e melancólica muitas vezes. A subjetividade e a emoção do eu ( autor) são marcas do romantismo. Que foi de suma importância para a crescimento da literatura brasileira.

Romantismo


pintura : Exéquias de Atalá, pintor Augusto Rodrigues Meireles


A figura nos mostra aquela que é considerada, pelos críticos, a obra-prima de Augusto Rodrigues Duarte, pintor nascido em Portugal e radicado no Brasil, discípulo de Vítor Meireles na Academia Imperial de Belas-Artes. A partir de 1869 estudou na França, chegando a participar, com a obra aqui destacada, da Exposition Internationale (Paris, 1878). O tema é inspirado na obra do escritor romântico Renéde Chateaubriand (1768-1848), que retrata o índio de maneira idealizada, bem de acordo com os cânones da época. Destaque para o apuro técnico na execusão e o perfeito uso das cores da cena dramática.





Em 1836, foi publicado Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, livro de poemas considerado o ponto inicial da renovação românticada da literatura brasileira. O Romantismo, que se estendeu até 1881, foi o primeiro movimento da chamadaEra Nacional da nossa literetura; assumiu, por isso,a tarefa de criar uma arte literária autenticamente brasileira, capaz de expressar as pecularidades do país recém-libertado. Como pregavam a valorização do elemento elemento nacional e população em detrimento do universalismo clássico, as idéias do Romantismo harmonizaram-se com os ideais nacionalistas dos primeiros românticos brasileiros.




A PRIMEIRA GERAÇÃO DA POESIA ROMÂNTICA


A primeira geração da poesia de nosso romantismo é situado pelos estudiosos em 1836, mais de uma década após a independência política do país (1822). Dessa forma, o Romantismo corresponde ao movimento que procurou promover a independência cultural do país, por meio da criação de uma arte e de uma literatura marcadamente nacionais, que pudessem constituir nossa forma de expressão mais autêntica. A estética romântica pregava a valorização do elemento local e das feições particulares de cada povo como material de elaboração artística; há portanto, uma forte afinidade entre as propostas rtom/ãnticas e o momento social e político vivido pelo país na primeira metade do século XIX.
A produção literária do Romantismo brasileiro foi muito grande. A poesia costuma ser dividida em três "gerações", cada uma delas devidamente caracterizada. A prosa de ficção surgiu e desenvolveu-se nesse período, chegando a produzir trabalhos de mérito. Também o teatro consolidou-se nessa época.
Entre 1833 e 1836, um grupo de intelectuais brasileiros do qual faziam parte, entre outros, Domingos José Gonçalves de Magalhães, Manuel de Araújo Porto Alegre e Francisco de Sales Torres Homem, esteve na Europa para estudar e aprimorar-se. Procurando divulgar a cultura e a realidade brasileiras, esses intelectuais fundaram, em 1836, em Paris, a Niterói - Revista Brasiliense de Ciências, Letras e Artes. Nessa revista, que teve apenas dois números, expuseram idéias relativas à construção de uma identidade nacional brasileira. Seu lema - "Tudo pelo Brasil, e para o Brasil" - deixa bem clara essa intenção patriótica, que incluía a valorização das coisas nacionais e a divulgação de conhecimentos científicos e artísticos necessários à construção de novo país.
Foi o primeiro número da revista Niterói que propunha a nacionalização da literatura brasileira por meio da valorização da paisagem e da cultura da nova terra, assim como o apego à religião. Essa proposta consistia no repúdio às tradições neoclássicas e na adoçãodas idéias do Romantismo. Também em Paris, em 1836, Golçalves de Magalhães publicou Suspiros poéticos e saudades, obra considerada o marco da estética romântica na literatura brasileira.
Embora pareça estranho que um grupo de nacionalistas desemvolvesse suas atividades em Paris, devemos lembrar que esses intelectuais eram geralmente lusófobos, ou seja, pregavam o repúdio aos valores culturais portugueses. Buscar idéias e procedimentos na Fr
ança era, portanto, uma forma de afirmar a independência em relação a Portugal.
A obra poética de maior espressão da primeira geração romântica foi produzida por Gonçalves Dias, que não participou das atividades do grupo parisiense.



A contribuição dos teóricos europeus, o nacionalismo ufanista pós-1822 e as viagens para o exterior de uma jovem intelectualidade - nascendo daí o famoso sentimento do exílio - fornecem o quadro histórico onde apon
ta a primeira geração romântica. O apogeu da mesma ocorre entre 1836 e 1851, quando Gonçalves Dias publica Últimos cantos, encerrando o período mais fértil e criativo de sua carreira.




Mas afinal o que é A primeira geração do Romantismo?


Essa geração é nacionalista, indianista e religiosa. O indianismo brasileiro teve várias fases, começando por Anchieta (indianismo Barroco), Basílio da Gama (indianismo arcádico), ainda o indianismo exótico importado, o indianismo popular folclórico, o indianismo português, o indianismo romântico e o indianismo cultural, até que chega o indianismo gonçalvino ( de Gonçalves Dias).O índio estava dentro de Gonçalves Dias, em seu sentimento, na sua imaginação poética, estivesse ele no Brasil ou em Coimbra. O seu índio dos poemas líricos ou épicos seria índio mesmo, e não índio de cartão postal. Sua obra indianista está contida em Poesias Americanas, que são: "Canção do Exílio", "O Canto do Guerreiro", "O Canto do Piaga", entre outras.Outro representante dessa geração é José de Alencar, que escreve não somente sobre o índio mas sobre o Brasil como um todo, dos campos e das cidades, dos negros e dos índios, da burguesia e do povo e encontra sua própria dimensão, sua íntima razão literária. É a partir de seu exaltado romantismo que os futuros literatos do Brasil, irão traçar as diretrizes para a aquisição de um estilo nacional.


*O Indianismo Brasileiro


Foi uma das principais tendências . A vida e os costumes dos índios sempre despertaram curiosidade. Assim como o romantismo europeu valorizava o passado medieval, romantismo brasileiro passou a resgatar seus valores e assim o índio foi visto como o passado histórico nacional. O índio foi encontrado como o verdadeiro representante da raça brasileira. essa simpatia também foi conseqüência do trabalho de conscientização feito pelos jesuítas. Como exemplo de autor e obras indianistas podemos citar:

O autor José de Alencar em 1835 publicou o livro Iracema que descreve a história de uma índia que se apaixona por um guerreiro branco e muda totalmente o rumo de sua vida . O livro é um clássico, que até hoje é estudado quando queremos nos aprofundar no romantismo e conhecer como o tema era abordado nos livros com tema indianista.Há também o livro O Guarani , que é o mais importante dos livros históricos de José de Alencar , em que vulgarmente podemos dizer que Alencar 'inverte' a história de Iracema, e conta a história de uma branca e de um guerreiro indígena que se apaixonam e vivem a lenda de Tamandaré.


*Nacionalismo
Corresponde à valorização das particularidades locais . Opondo-se ao registro de ambiente árcade , que se pautava pela mesmice , vendo pastoralismo em todos os lugares , o Romantismo propõe um destaque da chamada "cor local", isto é , o conjunto de aspectos particulares de cada região . Esses aspectos envolvem componentes geográficos , históricos e culturais . Assim , a cultura popular ganha considerável espaço nas discussões intelectuais de elite .





Autores que mais se destacaram na primeira geração romântica:



1. GONÇALVES DE MAGALHÃES (1811-1887)


Obras: Suspiros poéticos e saudades (1836); A confederação dos tamoios (1857)

A Gonçalves de Magalhães coube a precedência cronológica na elaboração de versos românticos. Suspiros poéticos e saudades é a materialização lírica de algumas idéias do autor sobre o Romantismo, encarado como possibilidade de afirmação de uma literatura nacional, na medida em que destruía os artifícios neoclássicos e propunha a valorização da natureza, do índio e de uma religiosidade panteísta.
No entanto, faltava a Magalhães autêntica emoção poética para tornar efetivas suas teorias. Em sua obra ele afirma:


Meus versos são suspiros de minha almaSem outra lei que o interno sentimento.
Isto, porém, não encontra correspondência nela mesma. Os sentimentos são apresentados de uma maneira retórica, freqüentemente "despoetizados" por imagens de mau gosto:
Nas veias o sangue já não me galopa,em sacros furores nos lábios me fervem;A lira canora do cisne beócio,deixei sobre a trípode
.



Durante anos, Gonçalves de Magalhães foi considerado o maior poeta pátrio. Transformou-se em símbolo oficial da literatura brasileira, merecendo inclusive grande apreço de D.Pedro II. A confederação dos tamoios, tentativa de indianismo épico em que a redundância ou exagero verbal dissolve o lirismo, significou a crise dessa carreira triunfante.
Submetida à primeira e dura revisão crítica, com José de Alencar denunciando o artificialismo de sua composição, a obra de Magalhães começou a ser relegada a um plano secundário. Sob pseudônimo, o próprio Imperador sai em defesa de seu protegido, mas os argumentos de Alencar eram irrefutáveis. Restava-lhe a importância histórica, e esta era incontestável. O Romantismo fora introduzido por ele:
Triste sou como o salgueiroSolitário junto ao lagoSuspirar, suspirar...Tal é o meu fado!


2. GONÇALVES DIAS (1823-1864)



Obras: Primeiros cantos (1846); Segundos cantos (1848); Sextilhas de frei Antão (1848); Últimos cantos (1851); Os timbiras (1857).



Filho de um comerciante português e de uma mulata que viviam em concubinato, Antônio de Gonçalves Dias nasceu em Caxias, no Maranhão. Quando o menino tinha seis anos, o pai casou-se com uma moça branca e proibiu o filho de visitar a mãe, que se reencontraria com o filho apenas quinze anos depois. Antônio cresceu trabalhando como caixeiro na loja do pai e teve uma boa educação, sendo enviado com quatorze anos para Portugal. A morte do pai, no mesmo ano, trouxe o rapaz de volta ao Maranhão, porém a madrasta cumpriu a vontade do marido quanto ao filho e mais uma vez o futuro poeta foi mandado para Coimbra. No início de 1845, retornou à sua província natal, já formado em Direito. A sociedade de São Luís o recebeu bem e ele conheceu então aquela que - algum tempo depois - seria o grande amor de sua vida, a jovem Ana Amélia.
Antes da eclosão desse amor extremado, viajou para o Rio de Janeiro, onde se radicaria. Virou professor de Latim no Colégio Pedro II e lançou, com notável repercussão, os Primeiros cantos e os Segundos cantos. De imediato, obteve a proteção imperial, ocupando diversos cargos de importância nas áreas de pesquisa escolar e de busca de documentos históricos. Em visita ao Maranhão reencontrou Ana Amélia e a pediu em casamento. A família da moça recusou o poeta, alegando a sua origem bastarda e mulata. Exasperado, casou-se com Olímpia Coriolana, provavelmente a primeira mulher que encontrou depois da recusa e com a qual viveu um casamento infeliz. Viajou muito pelas províncias do Norte e pela Europa, sempre a serviço. Afetado pela tuberculose, tentou a cura na França. Desenganado pelos médicos, retornou num cargueiro que naufragaria, já nas costas do Maranhão. A única vítima do naufrágio foi o poeta, que contava então quarenta e um anos de idade.


Gonçalves Dias consolidou o Romantismo no Brasil com uma produção poética de boa qualidade. Entre os autores do período é o que melhor consegue equilibrar os temas sentimentais, patrióticos e saudosistas com uma linguagem harmoniosa e de relativa simplicidade, fugindo tanto da ênfase declamatória como da vulgaridade. Pode-se dizer que o seu estilo romântico é temperado por uma certa formação clássica, o que evita os excessos verbais tão comuns aos poetas que lhe foram contemporâneos.
No prefácio do livro de estréia, Primeiros cantos, ele define a liberdade métrica e a variedade temática que dominam a sua lírica:

Muitas delas (as poesias) não têm uniformidade nas estrofes, porque menosprezam regras de mera convenção; adotei todos os ritmos de metrificação portuguesa, e usei deles como me pareceram melhor com o que eu pretendia exprimir. Não têm unidade de pensamento entre si, porque foram compostas em épocas diversas - debaixo de céu diverso - e sob influência de impressões momentâneas.

Sua obra se articula em torno de três assuntos principais: o índio ,a natureza e o amor impossível .


Variação temática

A obra poética de Gonçalves Dias apresenta grande variação temática e formal, ajustando-se assim às concepções românticas. O poeta produziu muitos textos de forte religiosidade, em tom normalmente solene. Não se deve pensar, no entanto, numa devoção religiosa no sentido convenciona, mas sim num sentimento que se manifesta pela percepção da presença da divindade na natureza, um sentimento panteísta. Ao mesmo tempo, Gonçalves Dias apropiou-se da tradição lírica da poesia em língua portuguesa, esplorando seus temas e ritmos ; adaptandop essa tradição lírica ao nacionalismo literário, cantou a paisagem e o índio brasileiros. Escreveu também uma poesia amorosa e de muito boa qualidade.

Poesia indianista

O nacionalismo de Gonçalves Dias não se klimitou a enaltecer as belezas da paisagem brasileira. A valorização da cultura brasileira foi trabalhada de maneira mais consistente na chamada poesia indianista, em que o índio brasileiro e sua forma de vida são adotados como tema literário.
Essa pesquisa das origens da nacionalidade brasileira integrava-se aos esforços românticos de construção de uma cultura autêntica e única. Adotar o índio como tema literário era, portanto, uma forma de valorizar o elemento nacional. Os românticos brasileiros, no entanto, submeteram o índio a um processo de deformação idealizante, conferindo-lhe um comportamento semelhante ao que os escritores europeus enxergavam nos cavaleiros medievais que povoavam suas narrativas históricas. Essa deformação parece ter brotado da necessidade de encontrar para o Brasil um passado tão nobre quanto a Idade Média teria sido para a Europa.
Gonçalves Dias não conseguiu evitar essa tendência de idealização do índio, apresentando-o como um cavaleiro vestido de penas. Apesar disso, seus poemas indianistas não deixam de ter muitos méritos. No mais famoso deles, "l-Juca-Pirama", Gonçalves Dias desenvolve um belo trabalho de variação métrica: os efeitos rítmicos alcançados são memoráveis. O poeta planejou também um épico indianista, espécie de "llíada americana": Os timbiras. Dos dezesseis cantos planejados, apenas quatro foram impressos, alternando momentos de boa poesia com prosa metrificada.


Fontes:

Textos de autoria própria
Sites:
www.cartografia.eng.br/sandraperes/academico/romantismo.php
http://www.ligfast.com.br/educaçao/index.php?act=leitura&codigo=999&secao=88
Livro:
Curso de Literatura de Língua Portuguesa - Ulisses Infante




sexta-feira, 9 de março de 2007

domingo, 4 de março de 2007

Um pouco sobre mim..


Olá,meu nome é Camila ..mas a maioria dos meus amigos desde a infância me chamam de Cony :D tanto que meu nome de guerra no CMPA é este, sempre tinha muitas camilas na minha turma então as pessoas me chamavam direto pelo sobrenome..mas alguns amigos também me chamam de Mila =) .o/ Fica a escolha..Camila,Mila,Cony xD hehehe....Como podem ver eu gosto muito dos meus amigos. Eles são a família que pude escolher, pena alguns deles terão que ir embora ...seus pais serão transferidos ao final do ano letivo. Adoro conversar ...nada se compara com o bem estar de poder trocar idéias...passo muitas horas do dia falando.Adoro meu colégio, confesso que ele me cansa muitas vezes, pela quantidade de coisas que são cobradas ..mas é bem verdade que eu tenho preguiça de ficar em forma xD heheh.Gosto de escrever, embora nem sempre eu consiga escrever tão bem como eu quero... Literatura brasileira é um assunto que me chama atenção pela riqueza de coisas que podemos aprender e é sobre esse assunto que irei falar aqui .


Abraço, Cony.